Abaixo um texto escrito por um jovem que a um ano mesmo com as dificuldades vividas por ser um deficiente, não deixou se abater.
| Jovem Wellington Lucena |
Hoje, dia 09/11/2011 faz um ano que me acidentei e fiquei paraplégico. Tenho dúvidas se devo comemorar esse dia (porque afinal de contas poderia ter partido dessa pra uma melhor) ou esquecê-lo (porque minha vida nunca mais foi a mesma desde então). Mas acho que não consigo fazer nenhuma coisa nem outra. Comemorar seria achar ou assumir que foi um dia bom, que me fez feliz, o que na realidade não foi. Esquecer, até poderia se não tivesse significado nada, como se tivesse sido um dia qualquer.
Hoje revivo tudo que aconteceu nesse período. Os momentos antes do acidente, a queda, o hospital, meus familiares, os exames, a cirurgia e também a tranquilidade que aceitei tudo, ou quase tudo. Revivo também o que passei e consegui nesse ano, depois de todo o ocorrido. O que fiz e venho fazendo. Se realmente aceito essa situação ou se a levo sem pensar. Sinto uma mistura de angústia, de orgulho e de esperança. Angustia por ainda ser cadeirante. Orgulho por não ter desistido de viver e Esperança em um dia poder voltar a andar.
É um ano SEM: andar, correr, dançar, vestir a roupa sozinho, dirigir, pedalar, praticar esportes, acordar e pular da cama no mesmo instante. É um ano SEM INDEPENDÊNCIA. Mas é também um ano COM: fé, esperança, determinação, amigos, amor, família e muita VONTADE DE VIVER.
Aprendi muitas coisas. A primeira foi a ter PACIÊNCIA, palavrinha que mais escutei enquanto estava internado e por fim achava que não precisaria de tanto, mas me enganei, realmente precisa de muuuuuita. Depois aprendi a guiar uma cadeira de rodas, a saber o que significa acessibilidade, a fazer quase tudo sem os movimentos das pernas, a aceitar os olhares das pessoas, a ter resiliência (flexibilidade, capacidade para adaptar-se à mudanças), que posso ser feliz independente de ser cadeirante, que a vida muda em um instante e que o mais importante na vida é ter quem a gente ama por perto.
Quero agradecer a todas as pessoas que durante esse período me ajudaram ou ajudam de alguma forma. Sem elas não seria nada do que hoje sou.
Mãe, você é a principal responsável por tudo que sou, espero um dia "pagar" tudo o que já fez e faz por mim. Obrigado por tudo meu Deus. Obrigado meus amigos e familiares.
Que venham mais anos como cadeirante ou melhor ainda, como andante.
"A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos."
Texto retirado do blog do Wellington Lucena
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