Atualmente, 78% dos brasileiros utilizam linhas de telefonia móvel com modalidade pré-paga
Para aqueles que optam
por um smartphone pré-pago, aí vai uma notícia nada animadora. De acordo com o
Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), usar um celular que
depende de carregamento via crédito pode sair até 130% mais caro que um plano
pós-pago da mesma operadora. Atualmente, 78% dos brasileiros utilizam linhas de
telefonia móvel com modalidade pré-paga, totalizando 211 milhões de usuários.
As informações são do G1.
O levantamento comparou os
dois tipos de cobrança que oferecem os preços mais baratos de cada operadora.
Vale lembrar que o Idec estimou o valor dos planos pós-pagos com base no valor
total de cada pacote, já que as prestadoras não divulgam o preço do minuto para
esses serviços.
No caso da Claro, o plano
pré-pago mais acessível (Claro Toda Hora) cobra R$ 1,60 por minuto em ligações
para telefones fixos e móveis de outras operadoras e para fixos do grupo Claro/Embratel/Net.
Em chamadas entre celulares Claro, o minuto sai por R$ 1,56. Já o plano
pós-pago mais barato cobra mensalidade de R$ 89, o que levou o Idec a estimar o
custo do minuto por ligação por R$ 0,67. Dessa forma, o valor do minuto
pré-pago é pelo menos 132% mais caro que o do pós-pago.
A Vivo cobra R$ 1,55 pelo
minuto pré-pago. Para o plano pós-pago com preço de R$ 61 ao mês, o Idec
estimou que o minuto custa R$ 0,98, ou seja, o valor do minuto pré-pago chega a
ser pelo menos 58% maior. Na TIM, a situação é parecida: o plano pré-pago mais
em conta (Infinity Pré) cobra R$ 1,59 pelo minuto das chamadas para outras
operadoras, enquanto o plano pós mais barato sai por R$ 49, com preço estimado
do minuto em 1,02, o que representa uma economia de 55,8% entre um plano e
outro.
Já a Oi tem a menor
diferença entre preços, mas a conta é um pouco complicada. Na modalidade
pré-paga, a operadora cobra R$ 0,10 nos dias em que os clientes fazem ligações
para celulares Oi e R$ 0,50 nos dias que ligarem para fixos, mas esse valor
pode variar dependendo do tempo diário que os usuários possuem para falar sem
acréscimos. Se a cota for de R$ 10, são 30 minutos diários durante 15 dias.
E essa matemática não para
por aí: se os consumidores carregarem R$ 18 ou R$ 25, são 60 minutos por dia.
Nesse caso, o que varia são os prazos de validade, que são de 25 e 30 dias,
respectivamente. Ao ultrapassar esses limites, o usuário passa a ser cobrado R$
1,69 pelo minuto. Em todo o caso, o Idec avaliou o plano de R$ 39 mensais, o de
menor valor oferecido pela companhia, cujo minuto teve preço estimado em R$
1,25. Com isso, a diferença entre os valores cobrados por minuto varia no
mínimo 35% de um plano para outro.
Veridiana Alimonti,
advogada do Idec, destaca que a diferença de valores seria ainda maior se fossem
levados em conta outros fatores. "Na verdade, o valor [do minuto pós-pago]
seria ainda menor, porque dentro desses pacotes tem ligações ilimitadas dentro
da rede, SMS para a mesma operadora...", disse. "Eu entendo que a
empresa cobra mais caro considerando que ela não tem muita garantia de que o
consumidor vai carregar nem exatamente quando".
A advogada acredita que,
apesar de tantos problemas nos serviços de telecomunicação no Brasil, os preços
ainda são o grande vilão, principalmente para consumidores de baixa renda.
"Para conseguirem ter esse direito garantido, os consumidores de baixa
renda têm de se submeter a condições complicadas", disse. Uma dessas
medidas é a oferta de créditos com validade de menos de 30 dias – como é o caso
da Oi –, mas tal ação já está com os dias contados graças a um novo
conjunto de direitos e garantias publicado pela Agência Nacional de
Telecomunicações (Anatel),
que garante validade mínima de 30 dias para créditos de planos pré-pagos.
Segundo a Claro, o plano
Claro Toda Hora é um serviço homologado pela Anatel "que
regulamenta os valores máximos das tarfias que podem ser cobradas pela
operadora". A empresa também afirma que possui planos pré-pagos com
tarfias promocionais – por exemplo, o cliente pode pagar R$ 0,25 por chamada
para celular Claro ou para os fixos Claro Fixo e Net Fone –, mas ainda sim as
ligações para celulares de outras operadoras custam R$ 1,60.
Já a TIM alega que o
serviço pré-pago "permite que o usuário não tenha uma despesa fixa mensal,
assumindo, no entanto, o comprometimento de realizar recargas periódicas para
manutenção da linha", enquanto "o cliente pós conta com a comodidade
de utilizar o serviço de telefonia móvel, pagando o valor definido na
assinatura mensal após a utilização".
A Telefônica Vivo diz que
seus preços para planos pré-pagos de telefonia móvel estão "adequados aos
praticados atualmente pelo mercado" e que ainda dispõe de várias ofertas
promocionais.
Já a Oi afirmou que é uma
questão de mercado os preços dos minutos de planos pré-pagos serem mais caros
que os da modalidade pós-paga.
Jefferson Cavalcante por Hneuws

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